Após entregar carta de demissão a Lula, Lewandowski recebe elogio de autoridades por gestão
10/01/2026
(Foto: Reprodução) Autoridades publicaram nas redes sociais mensagens em homenagem ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, neste sábado (10).
Lewandowski entregou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quinta-feira (8) a carta de demissão. A formalização, contudo, ainda não foi publicada no Diário Oficial da União (DOU).
Entre as autoridades que fizeram registros estão o decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o advogado-geral da União, Jorge Messias — indicado por Lula a uma vaga no STF após a aposentadoria de Luís Roberto Barroso (leia mais abaixo).
"A atuação do Ministro Ricardo Lewandowski à frente do Ministério da Justiça foi marcada pelo fortalecimento do enfrentamento ao crime organizado, ancorado em planejamento, inteligência policial e cooperação entre instituições, reafirmando a centralidade do de Direito na política de segurança pública", escreveu Mendes.
Lewandowski entrega carta de demissão
O ministro citou ainda as grandes operações conduzidas pela Polícia Federal contra facções criminosas.
"No plano institucional, sua passagem pelo Ministério será lembrada pela apresentação da PEC da Segurança Pública e do projeto de lei antifacção, iniciativas voltadas ao fortalecimento da coordenação federativa e ao aprimoramento dos instrumentos de combate ao crime organizado", prosseguiu o ministro.
Já Jorge Messias destacou os avanços nos dois anos de gestão de Lewandowski, além do comprometimento e reputação do ministro.
"Em um período repleto de desafios, sua gestão enfrentou questões complexas que exigiram não apenas habilidade técnica, mas também um profundo senso de espírito público", mencionou Messias.
O advogado-geral da União ainda afirmou ser seu discípulo e admirador.
"Sob sua liderança, a pasta da Justiça e a Segurança Publica apresentou propostas de reformas essenciais, que evidenciaram a sua habilidade em promover a união em prol de objetivos republicanos. Cada ação representou um passo firme rumo a um sistema de justiça e segurança pública mais acessível e equitativo", disse em outro trecho da mensagem.
Trajetória
Lewandowski assumiu o cargo em fevereiro de 2024, após se aposentar do Supremo Tribunal Federal (STF).
A TV Globo apurou que Lewandowski comunicou a auxiliares no início de dezembro que iria antecipar sua saída do governo. Desde o começo da semana, ele tem retirado seus pertences do gabinete no Palácio da Justiça.
A saída ocorre em um momento de protagonismo do tema da segurança pública no Brasil e na América Latina, e em meio ao avanço de organizações criminosas, e a episódios de violência associados a disputas entre facções.
Estão vinculados ao Ministério da Justiça: a Polícia Federal (PF); a Polícia Rodoviária Federal (PRF); e a Força Nacional, acionada para atuar nos estados em situações de crise e reforço da segurança pública.
Até a última atualização desta reportagem, o substituto de Lewandowski não tinha sido anunciado pelo governo. Secretário-executivo do MJ, Manoel Almeida, deve ficar como ministro interino.
Lewandowski deixa o Ministério da Justiça sem conseguir aprovar a PEC da Segurança Pública no Congresso.
Essa é a principal proposta do governo Lula na área e prevê maior participação da União em ações de combate ao crime organizado.
Entre os motivos que levaram Lewandowski a antecipar a sua saída do cargo, segundo apurou a TV Globo, está a retomada das articulações no governo Lula para dividir a pasta que Lewandowski chefia em dois ministérios: um da Justiça e outro da Segurança Pública, como ocorreu no governo Michel Temer.
Perfil
Ricardo Lewandowski já foi presidente do Conselho de Assuntos Jurídicos da Confederação Nacional da Indústria (CNI), do Observatório da Democracia da Advocacia-Geral da União (AGU) e do Tribunal Permanente de Revisão do Mercosul.
Formado em direito pela Faculdade de São Bernardo do Campo, iniciou a carreira jurídica em 1990. Em 2006, ingressou no STF, indicado pelo então presidente Lula.
Ao longo de 17 anos na Corte, foi revisor do julgamento do mensalão do PT e presidiu, no Senado, a sessão que conduziu o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
Lewandowski também foi relator de decisões emblemáticas, como as que confirmaram a constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa, a proibição do nepotismo no serviço público e a adoção de cotas raciais em universidades federais.
Durante a pandemia de Covid-19, relatou ações que autorizaram restrições a pessoas não vacinadas e determinaram que o governo federal apresentasse um plano nacional de enfrentamento da crise sanitária. Ele se aposentou do STF em abril de 2023.
Ministro Ricardo Lewandowski e Diretor Geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues durante entrevista coletiva, nesta quinta-feira (4), após recaptura dos fugitivos do presídio de Mossoró.
TON MOLINA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO