Chefe da segurança pediu que brigadistas deixassem área em chamas e ficou para tentar resgate no incêndio do Shopping Tijuca
17/01/2026
(Foto: Reprodução) Incêndio no Shopping Tijuca: vídeos mostram a evacuação e os últimos minutos de brigadista e segurança
Depoimentos prestados à Polícia Civil e imagens de câmeras de segurança mostram que o chefe da segurança do Shopping Tijuca, Anderson Aguiar do Prado, pediu para que brigadistas deixassem a área onde o incêndio avançava e permaneceu no local para continuar o combate às chamas e tentar localizar uma colega.
Anderson morreu após inalar fumaça durante o incêndio que atingiu o centro comercial, na Zona Norte do Rio, no dia 2 de janeiro.
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Segundo o relato da brigadista Jéssica de Oliveira Sodré, antes de sair do local, ela alertou a colega Emellynn Silvia Aguiar Menezes de que o oxigênio estava acabando e recebeu um sinal de concordância.
Em seguida, pediu para Anderson sair com ela. “Vamos embora", disse Jéssica. Anderson respondeu: “Vai”.
Chefe da segurança do Shopping Tijuca, Anderson morreu no incêndio tentando salvar brigadistas
Reprodução/TV Globo
Ainda de acordo com o depoimento, Emellynn permaneceu combatendo o fogo de frente. Jéssica contou que, quando deixou a loja, Anderson e Emellynn ficaram juntos. A última imagem que teve da colega foi dela sustentando a mangueira, pouco antes da chegada do Corpo de Bombeiros.
Jéssica relatou que teve dificuldade para sair porque a fumaça havia tomado todo o ambiente. A visibilidade estava comprometida e, segundo ela, as luzes de emergência da loja não funcionaram.
A brigadista disse ainda que ouviu o colega Oberdan gritar “sai, sai, o bombeiro chegou” e se guiou pela voz para conseguir deixar o local.
Ao sair, ela avisou que Anderson e Emellynn tinham ficado para trás e relatou estar com as pernas fracas. Depois disso, Anderson e Emellynn não foram mais vistos pelos colegas. Ambos morreram.
Imagens mostram últimos momentos
Câmeras de segurança registraram os últimos momentos de Anderson Aguiar do Prado durante o incêndio. As imagens mostram o chefe da segurança enfrentando a fumaça e o fogo no subsolo do shopping para proteger funcionários e clientes.
Anderson corre para entrar novamente na loja em chamas
Reprodução/TV Globo
O incêndio começou por volta das 18h04, na loja Bell Art. Cinco minutos depois, Anderson aparece correndo pelo corredor com a primeira mangueira para tentar conter as chamas. Em seguida, ele é visto desenrolando mangueiras e atuando sozinho no combate ao fogo, mesmo com a presença de público no local.
Às 18h12, Anderson retorna com uma segunda mangueira e, minutos depois, auxilia na entrada da primeira brigadista na loja. Três minutos após a chegada de Emellynn, a fumaça já havia se espalhado pelo subsolo.
Anderson aparece novamente esticando mangueiras e conversando com colegas que deixavam o local com dificuldade.
Anderson, já sem paletó, entra pela última vez na loja. Esta é a última imagem dele antes de ser retirado desacordado
Reprodução/TV Globo
Às 18h23, a fumaça se intensifica. Mesmo sem equipamentos adequados, Anderson volta diversas vezes à área do incêndio. Às 18h31, ele entra novamente no subsolo para tentar resgatar duas brigadistas. Esses são os últimos registros dele consciente.
Tentativa de resgate e morte
O chefe da equipe de brigadistas relatou à polícia que Anderson retornou ao subsolo para tentar retirar as duas brigadistas que haviam ficado para trás.
Segundo o depoimento, ele conseguiu indicar a saída para uma delas, mas desmaiou enquanto seguia em direção a Emellynn.
Anderson é resgatado do Shopping Tijuca por bombeiros na noite do dia do incêndio
Reprodução
O corpo de Anderson só reaparece nas imagens cerca de duas horas depois, já no térreo, sendo levado por bombeiros com máscara de oxigênio. Ele foi encaminhado a um hospital, mas não resistiu.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil, que apura a dinâmica do incêndio, o funcionamento dos equipamentos de segurança e o cumprimento dos protocolos de emergência.