Mergulhadores iniciam varredura em lago durante buscas por crianças desaparecidas em Bacabal
14/01/2026
(Foto: Reprodução) Buscas por irmãos desaparecidos em Bacabal entram no 11º dia
Quatro mergulhadores do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA) iniciaram, no fim da manhã desta quarta-feira (14), uma varredura no lago Limpo em busca de vestígios dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, que estão desaparecidos há 11 dias em Bacabal, no interior do Maranhão. A operação entrou em nova fase, já que não foram encontradas pistas sobre o paradeiro dos irmãos na mata, que é cercada pelo rio Mearim e lagos.
O lago Limpo é o local por onde as crianças teriam passado enquanto estavam perdidas na mata. As informações foram dadas pelo menino Anderson Kauan, que havia desaparecido junto com Ágatha e Allan, mas foi achado no dia 7 de janeiro. A criança relatou que deixou os primos próximo ao lago e saiu para buscar ajuda.
“Estamos aqui com quatro mergulhadores fazendo a varredura, o pente fino na lagoa Limpa, com o objetivo de tirar qualquer dúvida que as crianças se afogaram aqui no rio. Se caso as crianças tenham se afogado, nossa equipe irá, com certeza, encontrar os corpos. Então o objetivo é esse fazer o pente fino, a varredura geral aqui na lagoa para poder identificar qualquer tipo de vestígio em relação às crianças”, explicou o coronel Hélio do Corpo de Bombeiros do Maranhão.
O lago tem cerca de 300 metros quadrados, com aproximandamente 1 metro e 20 centímetros de profundidade. A expectativa é que, no máximo, em três dias os mergulhadores consigam mapear toda a área do lago.
O coronel Hélio disse, ainda, que além da varredura dentro do lago Limpo, várias equipes continuam fazendo buscas na região, passando pela mata e pelos demais lagos.
“Até o momento não conseguimos mais nenhum tipo de vestígio relacionado às duas crianças desaparecidas, mas nossas equipes estão em campos, a todo vapor, com o objetivo de encontrar qualquer tipo de vestígio em relação às crianças”, afirmou o coronel do Corpo de Bombeiros do Maranhão.
Mergulhadores iniciam varredura em lago durante buscas por crianças desaparecidas em Bacabal
Reprodução/Romarinho Bacabal
Varredura por quadrantes
A operação ocorre nas proximidades da comunidade São Sebastião dos Pretos, em Bacabal (MA), e abrange cerca de 54 km². Nesta quarta, bombeiros do Pará e Ceará, além de cães farejadores certificados nacionalmente, chegam em Bacabal para reforçar a operação, que agora conta com tecnologia e varredura por quadrantes (veja mais detalhes abaixo).
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Equipes traçam área de buscas por crianças desaparecidas em Bacabal
Segundo o major Pablo Moura Machado, do Corpo de Bombeiros do Maranhão, as equipes passaram a trabalhar por quadrantes para garantir uma varredura minuciosa na área delimitada.
“Estamos fazendo metro por metro, centímetro por centímetro, para ter certeza que as crianças não estão ali”, explicou o major.
Cada quadrante tem cerca de 90 mil metros quadrados. Ao todo, são 46 quadrantes, dos quais 25 já foram totalmente vistoriados.
Segundo o major, a área delimitada para as buscas equivale a aproximadamente 400 campos de futebol. A estratégia foi definida com base em um triângulo formado pelo ponto onde as crianças saíram, o local onde roupas foram encontradas e onde um dos meninos foi visto pela última vez. Veja mais abaixo o infográfico.
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Área de buscas por crianças desaparecidas em Bacabal
Divulgação/Corpo de Bombeiros do Maranhão
Para monitorar as rotas percorridas, os bombeiros e voluntários usam um aplicativo de geolocalização para mapear as rotas percorridas pelas equipes e localizar agentes ou voluntários caso alguém se afaste do grupo. Segundo o Corpo de Bombeiros do Maranhão, mais de 60% da área já foi vistoriada.
"Cada operador sai com o aplicativo instalado no celular. Onde ele passa, fica registrado no mapa”, disse Pablo.
Um aplicativo de geolocalização é usado para mapear as rotas percorridas pelas equipes e localizar agentes ou voluntários caso alguém se afaste do grupo.
Reprodução/TV Mirante
Até segunda-feira (12), as linhas amarelas no mapa indicavam os percursos feitos. Nessa terça-feira (13), os quadrantes começaram a ser preenchidos com rotas laranjas, sinalizando áreas já varridas.
Segundo os bombeiros, caso as crianças não sejam encontradas na área delimitada, um relatório será entregue às autoridades para definir se as buscas serão ampliadas.
INFOGRÁFICO - Como é a área de mata onde crianças sumiram enquanto brincavam no Maranhão
Arte/g1
Área de buscas é marcada por vegetação fechada, áreas de pasto e açudes
De acordo com o tenente-coronel Marcos Bittencourt, o terreno é irregular, com poucas trilhas, difícil acesso e diferentes tipos de vegetação.
“O terreno é de uma vegetação, parte em pasto e parte em vegetação densa. Também temos açudes e lagos, e essa região onde temos os açudes e lagos tem uma predominância de vegetação um pouco mais fechada, inclusive com espinhos”, explica.
Além da vegetação fechada, a região apresenta riscos adicionais, como a presença de armadilhas instaladas por caçadores, prática comum na área. Segundo o tenente-coronel, esses dispositivos podem causar acidentes e dificultar o deslocamento seguro de bombeiros e voluntários.
Segundo o comandante da PM-MA, coronel Wallace Amorim, policiais do Comando de Operações Especiais (Cosar) e do Batalhão de Choque estão sendo transportados em helicópteros do Centro Tático Aéreo (CTA) para áreas de mata fechada. “É um ambiente inóspito”, afirmou.
Forças de segurança e voluntários
Cerca de 500 pessoas participam das buscas, entre profissionais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Polícia Militar, Guarda Municipal, Exército Brasileiro e voluntários.
O trabalho segue com atenção especial às áreas mais difíceis de acessar. Até o momento, não foram encontrados vestígios das crianças nesta etapa das buscas.
Perícia e investigação paralela
Paralelamente às buscas, a Polícia Civil segue com as investigações para reunir informações que possam ajudar na localização de Ágatha e Allan. O Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA), ligado à Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, está em Bacabal desde domingo (11).
A equipe multidisciplinar do IPCA conta com psicólogo e assistente social, responsáveis por perícias psicológicas e sociais e por ouvir familiares das crianças. O menino de 8 anos que estava com elas no dia do desaparecimento já foi ouvido pelo instituto.
As buscas continuam durante a madrugada desta quarta-feira (14).
Exames descartam indícios de violência sexual em menino
Menino de 8 anos foi encontrado na tarde desta quarta-feira (7), na zona rural de Bacabal.
Reprodução/TV Mirante
O governador do Maranhão, Carlos Brandão, disse na terça-feira (13), que o menino Anderson Kauan, que havia desaparecido em Bacabal junto com Ágatha Isabelle e Allan Michael, mas foi encontrado por carroceiros, não sofreu violência sexual, apontam exames.
Anderson Kauan, de 8 anos, foi encontrado no dia 7 de janeiro, em uma estrada a cerca de 100 metros do rio Mearim. A criança estava debilitada e sem roupas. Diante da situação, o menino passou por exames, os quais atestaram que ele não foi abusado sexualmente.
Um dia antes de Anderson ser encontrado, um homem, que não teve a identidade divulgada pela polícia, foi detido durante as buscas pelas três crianças desaparecidas, por suspeita de tentativa de estupro. Segundo a Polícia Civil, ele é companheiro da avó de um dos meninos, mas a prisão não teve relação com o desaparecimento. Foram encontradas roupas sujas e três cruzes na casa do suspeito.
O homem foi detido em cumprimento a um mandado expedido após denúncia de tentativa de estupro contra uma adolescente de 16 anos, registrada no dia 1º de janeiro pela mãe da vítima. O homem negou qualquer envolvimento com o desaparecimento das crianças.
Já um dia depois de Anderson ser encontrado, um calção e uma sandália foram localizados em uma área de mato. Após investigação da Polícia Civil, constatou-se que as peças eram do menino.
Ainda segundo o governador, Anderson segue internado e em acompanhamento multiprofissional no Hospital Geral de Bacabal. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, ele está se recuperando bem.
Veja cronologia do caso
Infográfico - Crianças desaparecidas no Maranhão
Arte/g1
Ágatha Isabelle, de 6 anos e o Allan Michael, de 4 anos estão desaparecidos no Maranhão
Reprodução/TV Mirante