Trezentos metros de comprimento e capacidade para 318 mil toneladas de petróleo: como é o navio-tanque Marinera, apreendido pelos EUA

  • 08/01/2026
(Foto: Reprodução)
EUA interceptam 2 petroleiros ligados à Venezuela Os Estados Unidos anunciaram na quarta-feira (7) a apreensão do petroleiro Marinera (antigo Bella 1), ligado à Venezuela e que navega sob bandeira russa. A embarcação havia recebido escolta de submarino russo nos últimos dias, segundo a mídia dos EUA. A apreensão do petroleiro tem o potencial de escalar as tensões entre Washington e Moscou. Segundo a agência de notícias Associated Press, tropas norte-americanas embarcaram no petroleiro. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp O Marinera foi construído como um navio-tanque capaz de carregar petróleo e porodutos químicos. Ele saiu do estaleiro em 2002 e começou a operar sob a bandeira do Paraná. Com 333 metros de comprimento e 60 metros de largura, ele pode carregar até 318 mil toneladas de petróleo — capacidade que o coloca como um VLCC, ou "carregador muito grande de petróleo cru", na classificação internacional. Detalhes do petroleiro Marinera, apreendido pelos EUA. arte/ g1 O Marinera passou por diversas "encarnações" ao longo de sua vida operacional, algo comum no comércio marítimo. Ele já foi conhecido, por exemplo, como Mtov em 2012, Overseas Mulan em 2017 e Xiao Zhu Shan em 2021. Até recentemente, seu nome era Bella 1 e ele estava registrado sob a bandeira da Guiana. Na véspera do último Natal, o Ministério dos Transportes da Rússia concedeu uma licença temporária para operar sob a bandeira do país. O Marinera já havia sido sancionado no passado nos EUA, pelo governo Biden, por carregar petróleo iraniano. Moscou repudia ação O governo da Rússia repudiou a apreensão do petroleiro e afirmou que a ação dos EUA violou o direito marítimo e que "não havia jurisdição para o uso da força". Também pediu que os norte-americanos deem "tratamento humano e digno" aos tripulantes. A Casa Branca afirmou anteriormente que a apreensão respeitaria o direito internacional por acusar o navio de navegar sob bandeira falsa. O Reino Unido deu apoio à operação de apreensão após um pedido de ajuda dos EUA, segundo o secretário de Defesa britânico, John Healey. As Forças Armadas britânicas forneceram "suporte operacional, incluindo o uso de bases", uma embarcação militar e apoio aéreo de vigilância. Healey disse que o petroleiro tem um "histórico nefasto" e é "ligado a redes russas e iranianas de evasão de sanções". Imagem de divulgação do navio Marinera (Ex-Bella 1) vista à distância, divulgada em 7 de janeiro de 2026. Reuters Recentemente, a Rússia deslocou um submarino e outras embarcações para escoltar o petroleiro, que os EUA interceptaram no final de dezembro e tentam apreender desde então. À época, a embarcação estava perto da Venezuela e fugiu para o Oceano Atlântico. Com a apreensão, as tensões entre os EUA e a Rússia podem escalar ainda mais. Isso porque, além da escolta, o Kremlin fez nos últimos dias um pedido formal à Casa Branca para que deixasse de perseguir o petroleiro. O reservatório de petróleo do Marinera estava vazio no momento da apreensão, segundo dados de rastreamento marítimo analisados pela agência Associated Press. Escolta Autoridades disseram à agência Reuters que navios militares russos estavam na área geral da operação, incluindo um submarino russo. Não está claro, porém, quão próximas às embarcações estavam do petroleiro, e não havia indícios de confronto entre as forças militares dos EUA e da Rússia. Após a apreensão, o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que o bloqueio de petroleiros venezuelanos "continua em vigor em todo o mundo". O presidente dos EUA, Donald Trump, impôs em dezembro um "bloqueio total" aos petroleiros do país e apreendeu duas dessas embarcações em 2025. Os EUA acusam o petroleiro de navegar sob bandeira falsa e transportar petróleo venezuelano a aliados do regime chavista —liderado pela sucessora de Nicolás Maduro, Delcy Rodriguez—, como a Rússia, a China e o Irã. A Casa Branca alega que abordar um navio com bandeira falsa não viola o direito internacional. A Rússia deslocou um submarino e outras embarcações navais para escoltar um petroleiro antigo, o Bella 1, informou o Wall Street Journal nesta terça-feira, citando uma autoridade dos Estados Unidos. Hakon Rimmereid/via REUTERS Na última semana, o Kremlin já havia pedido aos EUA que interrompessem a perseguição aso petroleiro. O pedido diplomático foi feito na quarta-feira (31). A Casa Branca, o Departamento de Estado dos EUA e o governo russo não comentaram o caso até a última atualização. Na semana passada, a Casa Branca determinou que as Forças Armadas dos EUA concentrem esforços quase exclusivamente na aplicação de um tipo de bloqueio ao petróleo venezuelano pelos próximos dois meses, segundo a agência de notícias Reuters. Perseguição a petroleiro A interceptação inicial do petroleiro Bella 1 pela Guarda Costeira norte-americana ocorreu em 16 de dezembro. A embarcação estava entrando em águas da América Latina e se aproximando da Venezuela. Trump diz que Venezuela entregará milhões de barris de petróleo aos EUA No entanto, as forças dos EUA não conseguiram apreender o navio, porque a tripulação resistiu à investida, mudou a rota e fugiu em direção ao Oceano Atlântico. Desde então, o Exército dos EUA persegue a embarcação. Segundo o jornal norte-americano "The New York Times", o Bella 1 vinha do Irã e tinha como destino a Venezuela para fazer um carregamento de petróleo. Nos dias seguintes, o navio tentou obter proteção da Rússia ao pintar uma bandeira no casco e informar por rádio à Guarda Costeira dos EUA que navegava sob autoridade russa, ainda segundo o jornal. Desde então, o petroleiro passou a constar no registro oficial de navios como pertencente à Rússia e com um novo nome, Marinera. O porto de origem indicado é Sochi, cidade russa no mar Negro. Em dezembro, a Guarda Costeira dos EUA já havia interceptado dois petroleiros no mar do Caribe, ambos carregados com petróleo venezuelano. O aumento da pressão ocorre em meio a uma grande presença militar dos Estados Unidos no Caribe, com mais de 15 mil soldados, incluindo um porta-aviões, outros 11 navios de guerra e caças F-35. Os EUA afirmam que os meios militares são usados para reforçar sanções econômicas.

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/01/08/trezentos-metros-de-comprimento-e-capacidade-para-318-mil-toneladas-de-petroleo-como-e-o-navio-tanque-marinera-apreendido-pelos-eua.ghtml


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